segunda-feira, 4 de maio de 2009

José Saramago: Gripe suína e a morte da honradez


Não sei nada do assunto e a experiência direta de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor.


Por José Saramago, em seu blog

Há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vetor da mutação gripal: tanto da ''deriva'' estacional como do episódico ''intercâmbio'' genômico.
Há já seis anos que a revista Science publicava um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso.

A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe. Nas últimas décadas, o setor pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever…

Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Actualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações.

Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agente patogênicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários.

Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada.

No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um relatório sobre a ''produção animal em granjas industriais, onde se chamava a atenção para o grave perigo de que a contínua circulação de vírus, característica das enormes varas ou rebanhos, aumentasse as possibilidades de aparecimento de novos vírus por processos de mutação ou de recombinação que poderiam gerar vírus mais eficientes na transmissão entre humanos''.

A comissão alertou também para o fato de que o uso promíscuo de antibióticos nas fábricas porcinas – mais barato que em ambientes humanos – estava proporcionando o auge de infecções estafilocócicas resistentes, ao mesmo tempo que as descargas residuais geravam manifestações de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou milhares de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).
Qualquer melhoria na ecologia deste novo agente patogênico teria que enfrentar-se ao monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e ganadeiros, como Smithfield Farms (suíno e vacum) e Tyson (frangos).
A comissão falou de uma obstrução sistemática das suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas umas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento dos investigadores que cooperaram com a comissão.


Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas.


Assim como o gigante avícola Charoen Pokphand, radicado em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre o seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do surto da gripe suína esbarre contra a pétrea muralha da indústria do porco.

Isso não quer dizer que não venha a encontrar-se nunca um dedo acusador: já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz.

Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandêmica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industralizada e ecologicamente sem discernimento.

Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?

Fonte: Blog de José Saramago. Tìtulo do Vermelho

do VERMELHO: A visita do presidente do Irã.


Na próxima quarta feira, dia 5, o presidente do Irã, Mahamoud Ahmadinejad, desembarcará em Brasília, a convite do governo brasileiro, feito durante o encontro ocorrido em janeiro de 2007, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente iraniano participaram da posse de Rafael Correa, do Equador.

Ahmadinejad virá acompanhado de uma comitiva de cerca de 200 pessoas - entre elas 110 especialistas em diversas áreas econômicas, representando 65 empresas, além de instituições e ministérios, em 23 diferentes setores como o petróleo, gás, seguros, comércio, indústria alimentícia e pesquisa.

O atual embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, caracteriza este encontro como o início de uma nova etapa na relação entre os dois países, aproximação que deve ser encarada no contexto de uma nova ordenação mundial. Segundo ele, a fase do unilateralismo passou, e aquela nefasta política da era Bush vai dando lugar à idéia do multilateralismo, onde muitas potências emergentes vão se destacando, como o Brasil e o Irã.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não gostou da visita e desperdiçou mais uma vez seu espaço na mídia nacional neste final de semana para dar um arremedo de pito no governo Lula por considerar inadequado receber o dirigente máximo iraniano após o discurso de Ahmadinejad em uma conferência mundial promovida pela ONU a respeito da questão do racismo.

O ''príncipe dos sociólogos'' não consegue ser coerente nem mesmo no espaço de meia página dos jornais dominicais. Procura elogiar os primeiros cem dias de exercício do governo Barack Obama, nos Estados Unidos - destacando inclusive a iniciativa americana de estabelecer conversações com o Irã (satanizado pelo governo anterior), abrindo novos canais no oriente Médio e procurando descongelar as relações com Cuba - e ao final do artigo critica o encontro dos presidentes do Brasil e do Irã.
O presidente do Irã não é, para dizer o mínimo, prudente com as palavras, e o governo brasileiro já manifestou seu desgosto com o discurso pronunciado por Mahamoud Ahmadinejad.na abertura da conferência da ONU sobre o racismo. Pela forma contundente e pouco diplomática, e não pelo conteúdo das denúncias e do iníquo tratamento que o governo de Israel dispensa aos árabes e palestinos, que considera como racialmente inferiores.

Feita esta ressalva, é preciso dar relevo, contra os argumentos do ex-presidente, ao fato de que neste período de crescimento do unilateralismo, a cooperação sul-sul e entre países emergentes, como o Brasil e o Irã, são fundamentais para o fortalecimento dos respectivos mercados internos. Vários temas comuns poderão ser tratados como o combate à pobreza, o fortalecimento da justiça social e o combate ao novo tipo de colonialismo exercido pelas economias mais fortes do planeta. Estes objetivos se encaixam perfeitamente na atual política externa do governo brasileiro, determinado a desenvolver as relações do Brasil com a África, com o Oriente Médio e com os países da Ásia. Nesse sentido, seja bem-vindo, presidente Mahamoud Ahmadinejad.

domingo, 3 de maio de 2009

DVD : TERRA DE SONHOS.







Assisti ontem o DVD , o filme de Jim Sheridan é uma obra de arte , impressiona e emociona.A película trata da história do casal Johnny e Sarah (e suas duas filhas, Christy e Ariel), que decidem se mudar para os Estados Unidos, deixando tudo para trás em busca do famoso "sonho americano", além de algo para eles mais importante: esquecer a morte recente de seu terceiro filho, Frankie.



É um filme cheio de simbolismos e muito sensível , brilhantemente ambientado na década de 80 e com mostras claras dos que é ser estrangeiro nos Estados Unidos , como é ser membro de uma família e da superação da morte. A história nos faz sentir parte dela , como se participássemos , como se interagíssemos.



Diversão garantida. Assista.

sábado, 2 de maio de 2009

Do Manual do Minotauro do Laerte.

Álbum de André Toral mostra relação histórica com os índios


Há um ponto que une as sete histórias de "Os Brasileiros", álbum que tem dois lançamentos em São Paulo nos próximos dias (Conrad, 88 págs., R$ 38).

O elo é a presença dos povos indígenas. E da relação deles com o processo de colonização.

Não se trata de ver o índio como vítima. Mas de quais foram as decisões tomadas por eles dentro das circunstâncias históricas que tiveram de enfrentar.

As histórias da obra - escrita e desenhada por André Toral - mostram diferentes momentos ficcionais, tomando como pano de fundo dados reais.

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São tramas autônomas, produzidas por Toral em diferentes momentos. Vão de 1991 a 2008.

Algumas são reedições, como "O Negócio do Sertão", lançada em álbum em 1991.

As narrativas - umas curtas, outras mais longas; umas colorizadas, outras em preto-e-branco - podem ser lidas isoladamente.

Mas, se seguidas uma atrás da outra, formam um amplo panorama histórico, indo de 1560 aos dias de hoje.

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"Sou atraído pelo que há de curioso em pensar que o nosso espaço, o território que ora se chama ´brasileiro´, já foi ocupado por outras culturas absolutamente diferentes de nós mesmos", diz o autor paulistano, de 51 anos.

"E o que ficou desses homens e mulheres que viveram, se amaram por mais de 15 mil anos, aqui? Pouco, quase nada. Eles, como nós, somos passageiros na superfície da terra. Sou atraído pela precariedade na nossa condição."

Parte dessa influência histórica em sua obra vem também de sua formação acadêmica. Toral transita entre as áreas da antropologia e da história.

É formado em Ciências Socias pela Universidade de São Paulo, onde também doutorou-se em História Social. O mestrado foi em Antropologia Social, na Federal do Rio de Janeiro.

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O interesse acadêmico pautou também a escolha dos temas de seus trabalhos anteriores.

A primeira publicação, de 1986, tratava de "pesadelos paraguaios". Foi publicada na extinta revista "Animal".

Em 1992, lançou pela "General" - outra publicação cancelada - as duas partes de "O Caso dos Xis". A narrativa indígena é reunida neste novo álbum.

Mas é de 1999 seu trabalho mais conhecido: "Adeus, Chamigo Brasileiro: Uma História da Guerra do Paraguai". O roteiro foi vencedor de um HQMix, principal premiação de quadrinhos do país. A obra foi relançada no ano passado pela Cia. das Letras.

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"Acho que gosto mesmo é de história, num sentido mais amplo", diz. "Então eu penso: pena que eu vou morrer e levar tudo isso comigo. Tudo isso que eu vi, e que interessou."

"Por isso, eu desenho o que gosto: pra deixar registrado o que eu vi, minhas imagens, pra onde foi o meu olhar."

Toral, hoje, divide os quadrinhos com aulas na FAAP, Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo. Lá, leciona história da arte no curso de comunicação

FONTE: http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/index.html

A imprensa brasileira e as falsas polêmicas.


Me senti bastante contemplado com a colocação do Presidente Lula em uma solenidade de ontem que , quando interpelado sobre o "escândalo" das passagens aéreas da Câmara , foi firme , incisivo e corajoso ao emitir sua opinião. Tem o que é corriqueiro de se ouvir: " ninguém é a favor disso" , "ninguém quer o fechamento da Câmara e do Senado" , mas é muito superficial a atitude da imprensa a tratar um assunto tão velho quanto a invenção do avião como algo que começou a ocorrer faz 2 ou 3 dias.
Pior ainda é requentar o tema durante dias , como se algo que pode , tranquilamente , ser resolvido com um simples ato de resolução da Mesa da Câmara , precisasse ser tratado como se fosse mudar os destinos da nação se fosse executado com celeridade. Curiosamente o escândalo da filha de FHC contratada pelo Senado passa longe da mídia e recebe pouco destaque....
A mídia tem lado , tem pauta e tem seus objetivos. A ditadura militar contou com bastante colaboração e atos de covardia da grande mídia televisa e dos jornais paulistas.Felizmente , está aí a clara redução de assinantes da VEJA( cerca de 170 mil) , sinal dos tempos....

CINEMA: X-MEN ORIGENS - WOLVERINE


Numa sessão de fim de noite foi legal apreciar um filme como Wolverine.Na mesma linha da série cinematográfica X-men (a película inclusive estabelece link com a trama da mesma) o filme é bom , diverte , tem boa história e funciona.
Hugh Jackman ( de Austrália ) funciona tão bem como Wolverine que parece até o próprio personagem dos quadrinhos , a história difere bastante do original mas não chega a ser um problema, já que são mídias muito diferentes.
O longa não deixa cair a qualidade em nenhum momento e é uma atração recomendada para quem quer ação , aventura e mutantes na sua sessão de cinema.